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EXPLICITAÇÃO DOS CONCEITOS DAS DIRETRIZES CURRICULARES GERAIS NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

por Sirio Lopez Velasco
 

Neste trabalho explicitaremos os conceitos centrais das Diretrizes Curriculares Gerais Nacionais para a Educação Ambiental aprovadas pelo Ministério da Educação do Brasil no início de 2012.
ABSTRACT
In this paper we explicate the main concepts of brazilian national directives to environmental education promulgates at 2012.
Key words: environmental education, national directives for education


No início de 2012 e a caminho da celebração da “Rio + 20” o Ministério da Educação (MEC) do Brasil, aprovou as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Ambiental. Desse documento de vinte e sete páginas, destacaremos aqui, aquelas dez diretrizes gerais que são definidas para todos os níveis e modalidades de ensino-aprendizagem, a fim de explicitar cada um dos seus conceitos principais.

Eis essas dez diretrizes e nossa explicitação conceitual.

1. Estímulo à visão complexa da questão ambiental, a partir das interações dinâmicas entre ambiente, cultura e sociedade, situando a questão ambiental no tempo e no espaço, considerando as influências políticas na relação humana com o ambiente, bem como o estudo da diversidade biológica e seus processos ecológicos vitais.

A “visão complexa” remete ao pensamento da complexidade popularizado pelo filósofo francês Edgar Morin, que entende em especial, que todo fenômeno deve ser situado/compreendido dentro do todo no qual está inserido (isto é, nas suas múltiplas relações com os demais elementos desse todo), sabendo que o Todo é, ao mesmo tempo, mais e menos que a soma das suas partes (porque vai além e fica aquém das características das partes consideradas isoladamente).

As “interações dinâmicas entre ambiente, cultura e sociedade” indicam que a educação ambiental deve levar em conta simultaneamente e de forma combinada, os fatores naturais (ou seja, aqueles fenômenos/situações dos meios abióticos e bióticos que seriam independentes da ação humana, sendo que esses fenômenos/situações são na Terra cada vez menos numerosos, devido a que as influências diretas ou indiretas da ação humana abrangem hoje praticamente a totalidade do planeta), e aqueles que derivam ou estão compreendidos na esfera da ação humana (no contexto de uma dada sociedade ou cultura).

Situar a “questão ambiental no tempo e no espaço” significa dar-lhe a concretude que lhe confere essa determinada configuração natural-cultural-societária, acima referida, que é necessariamente situada no seio de uma história ligada a uma determinada região geográfica (que tem relações sistêmicas com outras, no contexto do planeta) e num determinado momento do tempo (ligado a outros, anteriores).

Vinculando-se aos dois itens anteriores, as “influências políticas na relação humana com o ambiente” significam que, conforme já notou Aristóteles, o ser humano é um “ser político”, ou seja se agrupa em sociedades organizadas em determinadas formas (mutáveis, segundo Marx, em função da mutação dos modos de produção, que ele caracterizou como sendo, sucessivamente, primitivo, escravagista, feudal, capitalista e comunista) e regidas por determinadas normas (também mutáveis); é nesse contexto que se dá sempre a relação entre os seres humanos e os ecossistemas com componentes abióticos e bióticos (não-humanos).

É nessa vinculação que deve se dar, sempre, “o estudo da diversidade biológica e seus processos ecológicos vitais”; por diversidade biológica entendemos a diversidade de seres vivos que habitam o planeta (e eventualmente o espaço extra-terrestre) e por processo ecológico entendemos as interações existentes entre esses seres e o conjunto dos elementos/sistemas não vivos existentes no planeta (água, solo, ar, etc.) e eventualmente fora dele mas podendo interferir nele (como é o caso da luz solar, e eventualmente outros fenômenos de origem extra-terrestre).

2. Abordagem da Educação Ambiental com uma dimensão sistêmica, inter, multi e transdisciplinar, de forma contínua e permanente em todas as áreas de conhecimento e componentes curriculares em projetos e atividades inseridos na vida escolar e acadêmica, enfatizando a natureza como fonte de vida e relacionando o meio ambiente com outras dimensões como a pluralidade étnico-racial, enfrentamento do racismo ambiental, justiça social e ambiental, saúde, gênero, trabalho, consumo, direitos humanos, dentre outras.

Entendemos por “sistema”, um conjunto de elementos interligados; o sistema só e compreendido quando se entendem essas diversas relações entre os seus elementos constituintes. Entende a segunda diretriz geral que a educação ambiental deve reunir características multi, inter e transdisciplinares. Explicamos esses termos como segue (Lopez Velasco, 2008, cap. 1). A Educação Ambiental (EA) é uma tarefa mais-que-disciplinar. Esta abordagem leva-nos para o domínio da multi, da inter e da transdisciplinariedade. Acontece que há divergências quanto a conceitualização destes três termos. Na especificação desta idéia geral acredito que a seguinte caracterização, inspirada do documento que estipula a "Estratégia Nacional de EA" em Cuba (ENEA, 1997, apud Lopez Velasco, 2008), encaminha corretamente a discussão e aplicação dos termos antes citados (sem pretender resolver definitivamente a questão, que fica ainda em aberto, na busca do uso dos termos que se achar mais conveniente):

a) A multidisciplinariedade caracteriza uma situação na qual, embora não exista coordenação entre diversas disciplinas, cada uma delas participa desde a perspectiva do seu próprio quadro teórico-metodológico ao estudo e tratamento de um dado fenômeno. [ Se entendermos por disciplina, conforme o Aurélio " qualquer ramo do conhecimento científico", ou, ainda " conjunto de conhecimentos em cada cadeira dum estabelecimento de ensino", podemos dizer que os cursos de Pedagogia que conhecemos são multidisciplinares; com efeito, definido o objetivo que é formar educadores, ou simplesmente professores, supõe-se que é necessário para tal que o aluno conheça o ser humano, entre outros, os assuntos relativos a sua psicologia e desenvolvimento, às suas formas de aprender, e às circunstâncias positivas e problemáticas da sua existência social; e assim o curso oferece as disciplinas de Filosofia, Psicologia, Didática e Sociologia, que mesmo sem interagirem na programação dos seus conteúdos, nem na suas referências teórico-metodológicas, dão ao aluno de forma multidisciplinar o desejado conhecimento sobre algumas dimensões do que é o ser humano].

b) A interdisciplinariedade significa que as disciplinas em questão, apesar de partirem cada uma do seu quadro referencial teórico-metodológico, estão em situação de mútua coordenação e cooperação e estão engajadas num processo de construção de referenciais conceituais e metodológicos consensuais

c) já a transdiciplinariedade caracteriza a situação na qual estes referenciais consensuais têm sido construídos e propiciam a re-acomodação, com relativa desaparição, de cada "disciplina" envolvida no estudo e tratamento do fenômeno considerado.

A esta caracterização podemos acrescentar que a "transdisciplinariedade" em EA pode ser entendida também, num sentido menos ambicioso que o recém esboçado, como o fato da EA ter que permear-ligar, como grande "tema transversal", todos os espaços educacionais (na educação formal, todos os conteúdos); para visualizar com clareza o que quero dizer com isto serve a analogia da (nefasta) estrada "trans-amazônica", assim chamada pelo fato de atravessar-ligar o espaço amazônico estabelecendo contato entre suas partes; de maneira análoga a EA está chamada a atravessar-ligar todas as atividades educacionais (e na educação formal todas as disciplinas e conteúdos).

A forma “contínua e permanente” refere ao fato de que a EA deve ser praticada sem solução de continuidade (ou seja deve estar presente em todas as atividades educativas) e não pode ter fim no tempo (ou seja, deve acompanhar cada pessoa até a sua morte, como o pensou Paulo Freire em relação à “conscientização”, entendida como desvelamento crítico da realidade e ação transformadora sobre ela, rumo a uma sociedade sem opressores nem oprimidos, e respeitosa dos equilíbrios ecológicos, acrescentamos nós).

A concepção da “natureza como fonte de vida” está presente desde sempre na cosmovisão dos povos indígenas da América Latina, e é recolhida como segue no Preâmbulo da recente Constituição da República do Equador: “Nós, o povo soberano do Equador...celebrando a natureza, a Pacha Mama da qual somos parte e que é vital para nossa existência...decidimos construir uma nova forma de convivência cidadã, em diversidade e harmonia com a natureza, para alcançar o bom-viver sumak kawsay”.

Esse pronunciamento esclarece por si só, por que a EA deve relacionar “o meio ambiente com outras dimensões como a pluralidade étnico-racial”, pois percebemos que há nos povos indígenas uma visão da Terra como mãe que se deve amar e cuidar, visão que se perdeu na lógica capitalista do lucro (que considera o planeta como fonte de recursos inesgotáveis a serem explorados), e que deve ser recuperada na nova ordem socioambiental ecomunitarista, que supera o capitalismo.

O “enfrentamento do racismo ambiental” apregoa a condena de qualquer postura racista em relação a qualquer etnia humana, em especial quando essa discriminação se faz sob o pretexto de que tal ou qual etnia tem um comportamento inadequado em matéria ambiental; o ponto de vista ecomunitarista sempre focaliza o contexto sócio-econômico da inadequação em questão (em especial, no mundo atual, a responsabilidade capitalista no modo dominante de produzir-distribuir-consumir), e considera que toda etnia pode corrigir sua conduta se mudar a sua forma de convivência (passando para formas ecomunitarisras que apontam para um além do capitalismo).

Por sua vez, postulamos que a “justiça social e ambiental”, e as questões atinentes à “saúde, gênero, trabalho, consumo, e direitos humanos” devem se enquadrar no contexto da proposta ecomunitarista (Lopez Velasco, 2003, 2008, 2010, 2012). Assim a justiça é entendida como equivalente à realização do lema “de cada um segundo a sua capacidade e a cada um segundo as suas necessidades, respeitando os equilíbrios ecológicos”, para que cada pessoa, em convivência fraternal com todas as demais do planeta e respeitosa da saúde da natureza não humana, consiga se realizar como indivíduo universal (ou seja, conseguindo realizar todas as suas vocações). Notamos que as necessidades legítimas são historicamente redefinidas sem cessar, a partir das três normas fundamentais da ética, que exigem, respectivamente, que cada um realize sua liberdade individual de decisão, que cada um pratique essa liberdade em buscas de decisões consensuais com os outros, e que toda ação vise a preservação-regeneração da saúde da natureza humana e não humana. A saúde entendida em termos humanos equivale a um estado durável (embora em equilíbrio instável) de bem-estar físico e mental. As questões de gênero incluem a superação da cultura machista, igualando em respeito, oportunidades, oferta de ocupações e retribuições a homens e mulheres, e a prática de uma erótica da libertação (apoiada numa educação sexual que combata o machismo, a homofobia e a culpabilização da masturbação).

Na perspectiva ecomunitarsita o trabalho alienado e alienante vigente no capitalismo deve ser substituído pelo não-trabalho de uma economia sem patrões e ecológica, orientada pelo lema “de cada um segundo sua capacidade e a cada um segundo sua necessidade, respeitando os equilíbrios ecológicos”, e na qual cada um produz em atividades rotativas e em tempo cada vez mais reduzido, conforme às suas vocações (e deixando para as máquinas ou praticando em rodízio aquelas atividades comunitariamente necessárias às quais não corresponde nenhuma vocação).

Note-se que em relação aos direitos humanos fala-se das suas diversas dimensões (pois não se aceita uma distribuição em gerações cronologicamente ordenadas de forma incontestável); elas são as seguintes: a) os clássicos, individuais, civis e políticos (trata-se dos relativos às liberdades, à igualdade, à propriedade, à segurança, e à resistência face às diversas formas de opressão), catalogados como ‘negativos’ por serem pensados em oposição ao poder do Estado; b) os direitos sociais, econômicos e culturais, de caráter ‘positivo’, pois se referem à concessão por parte do poder público a cada indivíduo de determinados bens (dentre eles o direito ao trabalho, à alimentação, saúde, moradia, e alimentação), c) os direitos coletivos e difusos, nos quais o titular não é um ser humano individual, nem tampouco regulam o relacionamento entre os indivíduos e o Estado, mas tratam da proteção de categorias ou grupos de pessoas (família, povo, nação, etnia, mulheres, povos indígenas, homossexuais, menores, etc.) e que não se enquadram exclusivamente nem no domínio “público” nem no “privado”; d) os direitos ambientais (reconhecidos explicitamente pela Constituição brasileira de 1988, que protege o “direito a um meio ambiente saudável”), os da bioética (referentes em especial à vida, à alimentação, à transgenia, à reprodução, ao aborto e à eutanásia), e, e) os direitos virtuais (para regular as situações vinculadas ao uso massivo da Internet e os mecanismos computacionais em geral).

3. Abordagem crítica dos aspectos constituintes e determinantes da dinâmica da hidrosfera, atmosfera, biosfera, sociosfera e tecnosfera, contextualizando os conhecimentos a partir da dinâmica da paisagem, da bacia hidrográfica, do bioma, do clima, dos processos geológicos, das ações antrópicas e suas interações, analisando os diferentes recortes territoriais, cujas riquezas e potencialidades, os usos e os problemas devem ser identificados e valorados.

A crítica é o exame de uma questão com a finalidade de elaborar sobre ela uma apreciação (Lalande, 1976). A terceira diretriz recomenda que ela englobe as variáveis naturais e humanas envolvidas na situação abordada, num enfoque que preste atenção ao uso dos recursos naturais (renováveis e não renováveis a escala humana/planetária) e aos problemas desse uso e/ou de conflitos inter-humanos envolvidos na dita situação. Na ótica ecomunitarista chamamos a atenção para os conflitos que opõem os interesses dos capitalistas aos do restante da humanidade (incluídos os próprios capitalistas, quando sejam libertados da sua ‘função’ no ecomunitarismo).

4. Incentivo à pesquisa e à apropriação de instrumentos técnicos e metodológicos que aprimorem a cidadania ambiental, com a participação ativa nas tomadas de decisões, com responsabilidade individual e coletiva (pública e privada) em relação ao meio ambiente local, regional e global.

Na EA ecomunitarista defendemos a idéia de que o educador deve ser um auxiliar da atividade dialogada com os educandos (se já na educação formal como na não formal) nos quais eles re-descobrem ou inventam conhecimento pela elaboração e teste de hipóteses, e a discussão dos resultados de tais testes. É com base nessa dinâmica gnoseológica que se geram as condições para se tomar decisões amadurecidas e com conhecimento de causa, que englobem a responsabilidade individual e coletiva, “em relação ao meio ambiente local, regional e global”. Quanto à “responsabilidade privada”, consideramos em perspectiva ecomunitarista, que os capitalistas sempre estarão pressionados pela lógica capitalista da concorrência que impõe a maximização do lucro, a adotar condutas que agravam a poluição e devastação da saúde da natureza humana e não humana, e devem ser em permanência (até que a humanidade consiga superar o capitalismo) vigiados e limitados na sua ação pelo conjunto dos não capitalistas.

Em relação ao “meio ambiente local, regional e global” temos defendido que deve ser completado-superado o clássico slogan ecologista “Pensar globalmente e agir localmente”, com estes outros dois “Pensar localmente e agir globalmente” (pois há problemas de maior incidência local, como os efeitos cancerígenos derivados do buraco da camada de ozônio nas regiões próximas aos pólos, que somente podem ser superados com uma ação conjunta de toda a humanidade, no caso citado porque só a diminuição do uso por parte de toda a humanidade dos produtos que provocam esse buraco poderá levar à sua eliminação), e “Pensar globalmente e agir globalmente” (porque há problemas globais, que só a ação conjunta de toda a humanidade poderá superar, como é o caso do efeito estufa, derivado de práticas de toda a humanidade, embora pode haver países mais responsáveis que outros).

5. Valorização da diversidade sob a ótica da Educação Ambiental, trazendo os

múltiplos saberes e olhares científicos, de povos originários e tradicionais sobre o meio ambiente, captando os vários sentidos que os grupos sociais lhes atribuem, numa perspectiva transdisciplinar.

Nesta diretriz destacamos como novo conceito, a importância de se reivindicar os conhecimentos dos povos originários, em paralelo com os derivados das ciências desenvolvidas no Ocidente, para cotejá-los de forma mutuamente enriquecedora para ambos e para maior proveito da saúde da natureza humana e não humana. Na ótica ecomunitarista isso não quer dizer que se aceite qualquer crença como sendo conhecimento, mas que se considere com respeito crítico e sempre em atitude dialogal qualquer crença (para se explicar depois com clareza por que consideramos que algumas resistem por ora à crítica e por que outras não tem resistido a essa prova e mereceriam ser descartadas, por ora).

6. Inserção da Educação Ambiental no Projeto Político-Pedagógico dos estabelecimentos de ensino de forma multi, transdisciplinar e interdisciplinar, como

um plano coletivo da comunidade escolar e acadêmica.

O projeto político-pedagógico de cada estabelecimento educativo deveria, na nossa maneira de ver, deixar-se guiar pela pedagogia problematizadora de Paulo Freire (1970), e que temos completado em ótica ecomunitarista.

7. Promoção de espaços estruturantes nas escolas e comunidades (baseados no conceito de “círculos de cultura” – Paulo Freire), que incentivem a participação da comunidade escolar no planejamento e gestão de projetos de conservação, preservação e recuperação ambientais voltados para a melhoria da qualidade de vida, combatendo práticas relacionadas ao desperdício, degradação e consumismo.

O conceito de “círculos de cultura” que Freire criou para propor a atividade cidadã de transformação rumo a uma sociedade sem opressores nem oprimidos depois que os ex-analfabetos aprendessem através da leitura e da escrita, a ler-mudar o mundo, deve ser completado hoje com as múltiplas dimensões da proposta ecomunitarista, que envolvem uma economia ecológica e sem patrões, uma política de todos (com democracia direta, ou pelo menos participativa e protagônica), uma erótica da libertação, uma pedagogia ambiental problematizadora (que inclua uma educação sexual libertadora), e uma comunicação simétrica (que acabe com o latifúndio mediático e democratize as mídias, colocando-as em mãos das comunidades e indivíduos interligados).

Temos destacado que os documentos e autores invertem o significado da conservação e da preservação, mas podemos coincidir em que uma delas há de se referir à manutenção de porções de natureza intocada pela humanidade (situação, repetimos, quase inexistente nos dias atuais, pelos efeitos indiretos e longínquos das ações antrópicas), e a outra, aos cuidados para se regenerar a porção da natureza afetada, restabelecendo-a nas suas características anteriores à ação humana que a afetou.

Note-se que a “qualidade de vida” deve se remeter ao conceito de saúde, definido no que antecede (a propósito da segunda diretriz).

Por sua vez, há de se notar que o desperdício e o consumismo são inerentes à lógica capitalista do lucro, pois o aumento incessante das vendas e a obsolescência programada (para que os produtos durem pouco e devam ser repostos) são necessários à sobrevivência do sistema capitalista. Pelo contrário, a frugalidade na conceituação e atendimento das necessidades que se revelarem legítimas à luz das três normas fundamentais da ética, é o próprio da proposta e da nova ordem socioambiental pós-capitalista (utópica) ecomunitarista.

8. Promoção de observação, percepção, levantamento de hipótese e registro da realidade ambiental, para a construção do conhecimento na escola a partir das experiências tradicionais e dos saberes multidisciplinares como ciências, artes, educomunicação entre outros.

Aqui se retomam inicialmente as características da construção do conhecimento que temos comentado a propósito de diretrizes anteriores (em especial da segunda, quarta e quinta). Os processos de educomunicação, remetem para a comunicação simétrica à qual nos referimos no comentário da sétima diretriz.

9. Incentivo à uma visão de mundo humanista e interpretativa, contextualizada

historicamente e baseada no reconhecimento e respeito das diferenças, e na

cooperação, democracia, justiça social, liberdade e sustentabilidade.

Em relação à visão humanista, temos esclarecido o que segue. Não há definição mais compreensiva do humanismo que a seguinte: “antropocentrismo refletido, que, partindo do conhecimento do ser humano, tem por objeto a mise en valeur do ser humano, com exclusão daquilo que o aliena de si mesmo, seja sujeitando-o a verdades e potências sobrehumanas, seja desfigurando-o por alguma utilização infra-humana” (Lalande, 1976); para que não se acredite que há uma contradição entre o ‘antropocentrismo’ recém citado e o ‘holismo’ da EA apregoada pelo ecomunitarismo, lembramos que em termos rigorosamente éticos temos rechaçado o ‘biocentrismo’ adotado por alguns segmentos do movimento ambientalista nos seguintes termos: “Da minha parte tenho marcado minha distância a respeito do chamado ‘biocentrismo’ salientando que a ética, constituida-instituida pela pergunta ‘Que devo fazer?’, é, por esse simples mas decisivo fato lingüístico (pelo menos na atual situação dos nossos conhecimentos) assunto humano ( já que não nos consta que sequer os mais evoluídos códigos de comunicação animal tenham no seu bojo espaço para os atos lingüísticos assim como os conhecemos nós os humanos, muito menos para a citada pergunta em especial). Assim é literalmente um nos-sens se colocar um mamífero não-humano (mesmo que seja um mamífero superior), uma planta ou um mineral, como sujeitos éticos. Ora, isso não nos isenta, ... da responsabilidade que nos cabe em relação aos entes não-humanos, responsabilidade que muitas vezes, podemos precisar-assumir mais cabalmente fazendo o esforço de ‘pôr-nos no seu lugar’”, Lopez Velasco 2003, p. 78-79].

A liberdade citada nesta diretriz (na sua expressão individual é ela que está amparada pela primeira norma da ética) pode se definir com Kant (1788, Dialética Transcendental, Livro II, Cap. II, Seção 9) como a “faculdade de dar início por si mesma a uma série de acontecimentos”; em ajuda desta caracterização poderíamos trazer a colaboração de Freud, quando salientou que o próprio da psicanálise era permitir fazer com que lá onde reinava o Id ou o Superego passasse a imperar o Eu; disse Freud “O propósito [da psicanálise] é robustecer o Eu, fazê-lo mais independente do Superego, ampliar seu campo de percepção e desenvolver sua organização, de forma que possa se apropriar de novas partes do Id. Onde era Id há de ser Ego” (“A divisão da personalidade psíquica”, in “Novas contribuições à psicanálise”, 4, 1932, in Freud, 1968, vol. II, p. 916).

Temos redefinido em ótica ecomunitarista a democracia como democracia participativa e protagónica (de preferência exercida de forma direta, e com rodízio das funções representativas que se julgarem indispensáveis), e como o regime no qual a maioria decide (de preferência buscando a unanimidade, mas sabendo que, como disse Nelson Rodrigues, “toda unanimidade é burra”, e as divergências são necessárias para que a humanidade não ponha nunca um ponto final na sua caminhada, enquanto existir).

A sustentabilidade pode ser definida (aproveitando o Informe Brundtland dos anos 80 do século XX) como sendo a modalidade de ação na qual são satisfeitas as necessidades eticamente legítimas das gerações presentes, sem afetar a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas, mantendo os equilíbrios ecológicos.

Sobre as “diferenças” advertimos que a proposta ecomunitarista da EA respeita somente aquelas que não ferem nenhuma das três normas fundamentais da ética, e assim nos afastamos de um reconhecimento genérico das diferenças que ampararia inclusive a ação do capitalista explorador-devastador, do racista, do machista, do ditador, e demais condutas incompatíveis com aquelas três normas.

10. Abordagem da Educação Ambiental que propicie uma postura crítica e

transformadora de valores, de forma a reorientar atitudes para a construção de

sociedades sustentáveis, reconhecer o protagonismo social e colocar o próprio

educando como componente, agente da gestão sustentável e beneficiário da

repartição de recursos do meio ambiente.

Na nossa dedução das três normas fundamentais da ética não necessitamos recorrer ao conceito de “valor” (no seu sentido ético ou moral), mas no contexto das aplicações dessas três normas e das propostas ecomunitaristas para as esferas da economia ecológica e sem patrões, a política de todos, a educação ambiental problematizadora, a erótica da libertação e a comunicação simétrica, ficam muito claras as atitudes e comportamentos que se julgam adequados ou inadequados. A participação protagónica do educando (e do cidadão) é idéia chave da construção da nova ordem socioambiental ecomunitarista.

A modo de breve conclusão

Como se vê, essas diretrizes reforçam os princípios da educação ambiental que, aproveitando o acúmulo conceitual da discussão internacional na matéria, tinham sido enunciados na Lei de Política Nacional de Educação Ambiental (lei 9.795 de 27/04/1999), que estipulavam: I) o enfoque humanista, holístico, democrático e participativo, II) a concepção do meio ambiente em sua totalidade, considerando a interdependência entre o meio natural, o sócio-econômico e o cultural, sob o enfoque da sustentabilidade, III) o pluralismo de idéias e concepções pedagógicas, na perspectiva da inter, multi e transdisciplinaridade, IV) a vinculação entre a ética, a educação, o trabalho e as práticas sociais, V) a garantia de continuidade e permanência do processo educativo, VI) a permanente avaliação crítica do processo educativo, VII) a abordagem articulada das questões ambientais locais, regionais e globais, e VIII) o reconhecimento e o respeito à pluralidade e à diversidade individual e cultural.

A novidade reside no fato de que (talvez com exceção da nona) estas diretrizes gerais acrescentam algumas ideias metodológicas genéricas para a implementação de alguns dos conteúdos conceituais explanados.


BIBLIOGRAFIA

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[1] Doutor e pós-doutor em Filosofia, docente do Doutorado e Mestrado em Educação Ambiental (PPGEA) da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) lopesirio@hotmail.com

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Reorientaciones temáticas y giros conceptuales en la Filosofía de la Liberación contemporánea

por Gerardo Oviedo (UBA, UCES, UNC)

Nuestro idioma es mejor porque se entiende

por Jorge Majfud

Ernesto Sábato, un profeta altermundista

por René Báez

Historicidad y crisis económica

por Norman Palma (Univ. París)

2012 y la cosmología Maya

por Norman Palma (Univ. París)

PENSAMIENTO ALTERNATIVO en la ARGENTINA

por Juana Fátima Luna (UCES)

La Identidad juvenil en el contexto de la Generación de la Reforma Universitaria de 1918

por Uriondo, Ernesto Manuel UNLa

La imaginación de la historia

por Jorge Majfud (Jacksonville University)

Política y economía norteamericana

por Jorge Majfud (Jacksonville University)

Mitos fundamentales sobre la inmigración

por Jorge Majfud (Jacksonville University)

Un ejercicio de pensamiento alternativo latinoamericano

por Ricardo Nicolon

Barbarie, un antiguo debate

por Gregorio A. Caro Figueroa (Todo es historia)

Sarmiento, un torrente vital

por Gregorio A. Caro Figueroa

EL PENSAMIENTO ALTERNATIVO

por Julian Sabogal Tamayo

LAS TEORÍAS DEL MODELO IMPERANTE Y LA NECESIDAD DEL PENSAMIENTO ALTERNATIVO

por Julian Sabogal Tamayo

Indignación

por Chantal Maillard

Althusser, los estudios culturales y el concepto de ideología

por Santiago Castro-Gómez (Universidad Javeriana)

La hora del individuo mundo

por Edgar Borges

Cultura y culturas: Desde la colonialidad del poder y desde los pueblos indígenas (Parte I)

por Rodrigo Montoya Rojas

Una admirable radiografía del disparate que nos comprende como humanos

por Jorge Dobal

La construcción histórica y pluriétnica de los Derechos

por Alberto Filippi (Università degli Studi di Camerino)

Algunas apreciaciones de la juventud latinoamericana

por Ernesto Uriondo (Universidad Nacional de Lanús)

Vigencia de Braudel

por Gregorio A. Caro Figueroa

Entrevista a Jorge Majfud

por Analía Gómez Vidal

Arquitectura, urbanismo y modernidad

por Rafael Ojeda

La identidad del nuevo cine crítico estadounidense

por Jorge Vergara Estévez

Crítica del paradigma del progreso

por René Báez

Iconografía del libro CONTRACULTURA JUVENIL

por Hugo E. Biagini (CONICET - Academia de Ciencias)

Quo vadis Europa?

por Francois de Bernard (GERM)

Cuna de la utopía

por Javier Lajo

La cultura desde las culturas

por Javier Lajo

Horacio C. Guldberg, lector de Ezequiel Martínez Estrada. Praxis utópica y ensayo latinoamericano

por Gerardo Oviedo, Universidad de Buenos Aires y Universidad Nacional de Córdoba.

Crítica literaria: Antología de crónica latinoamericana actual

por Darío Jaramillo Agudelo

El peso del pasado

por Gregorio A. Caro Figueroa

La generación FaceNoBook

por Jorge Majfud (Jacksonville University)

La realidad y la contra realidad

por Edgar Borges

Carlos Fuentes y la identidad latinoamericana

por Alejandro Serrano Caldera

El preservar y el cambiar

por Gregorio A. Caro Figueroa

Bolivarianos de la Revolución de Mayo

por Jorge Torres Roggero

Lo americano en los circuitos del espanto. Rodolfo Kusch

por Mario Vilca (Universidad Nacional de Jujuy)

‘Intellectus interruptus’: El recorte y la austeridad llegan a la literatura periodística

por Jorge Majfud

A propósito del Día Internacional de la Mujer: Rosa y Clara, dos nombres para la libertad

por Daniela Saidman (Desde Venezuela. Colaboración para ARGENPRESS CULTURAL)

La ciudadanía sudamericana

por Jorge Zavaleta Alegre (Desde Lima, Perú. Especial para ARGENPRESS CULTURAL)

Primero de mayo

por Dr.Ricardo Melgar Bao Instituto Nacional de Antropología e Historia

LOS LINEAMIENTOS DE CUBA A LA LUZ DE LA CRÍTICA DEL CHE A LA ECONOMÍA DE LA URSS

por Sirio López Velasco (FURG-Brasil)

Hacia una historia para la integración latinoamericana

por Edmundo Aníbal Heredia (CONICET)

¿Qué interculturalidad?

por Julio Eduardo Torres Pallara

La humanidad y el planeta

por Rodolfo Bassarsky

El juez de fútbol y el juicio ético

por Hugo Lovisolo, Ronaldo Helal

Mito, utopía y cuestionamiento en la conquista y colonización de América

por Ernesto Barnach-Calbó, Miembro a título individual del Consejo Español de Estudios Iberoamericanos

Manuel Ugarte anduvo en los senderos del Ecuador (I)

por Por Daniel Kersffeld, especial para El Telégrafo

EXPLICITAÇÃO DOS CONCEITOS DAS DIRETRIZES CURRICULARES GERAIS NACIONAIS PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

por Sirio Lopez Velasco

EN TORNO A LA OTREDAD: PARADIGMAS Y COMPORTAMIENTOS

por Ernesto Barnach-Calbó Martínez (CEEIB)

Ambrosio Lasso, el ‘Coronel’ de los indígenas

por Daniel Kersffeld

Enrique Terán o el socialismo del desencanto

por Daniel Kersffeld

Reflexiones sobre la “Declaración Universal de la Democracia”

por V COLOQUIO INTERNACIONAL DE FILOSOFIA POLITICA

La segunda juventud de Marx

por Francesc Arroyo

UN CIUDADANO ESCLARECIDO: SILVIO KREMENCHUZKY

por SILVIO KREMENCHUZKY

Yo, Artigas

por Sirio López Velasco

La soledad latinoamericana

por Emir Sader (UERJ)

Integración Programática y Fáctica de la Primera Independencia a Unasur

por Hugo E. Biagini (Academia de Ciencias de Buenos Aires)

Hermes Benítez: “Los partidarios del magnicidio de Allende no comprenden el significado de su sacrif

por Mario Casasús

Costa Rica y Brasil: jóvenes disconformes

por Rafael Cuevas Molina (Presidente AUNA-Costa Rica)

El ensayo Nuestra América y el tiempo presente

por Rafael Cuevas Molina/Presidente AUNA-Costa Rica

UNA ENSEÑANZA SIN REPROBACIÓN ES POSIBLE

por Sirio López Velasco

Éloge de la lenteur / Elogio de la lentitud

por François de Bernard

PRESENTACIÓN DE EL NEUROLIBERALISMO Y LA ETICA DEL MÁS FUERTE

por Hugo Biagini

El adolescente y el mundo contemporáneo de la economía de mercado

por Jesús María Dapena Botero

Bolívar en la revolución latinoamericana

por Laureano Vicuña Izquierdo / El Telégrafo (Ecuador)

La Dirección de Ayotzinapa

por Fernando Buen Abad Domínguez

La lectura: ¿una práctica en extinción?

por Marcelo Colussi

Mensaje de Federico Mayor

por Federico Mayor

Albert Camus, del enigma y de la rebeldía. La revuelta. El gran grito de la rebeldía humana

por Gabriella Bianco

Ética de la Reciprocidad y Educación Andina

por Macario Coarite Quispe

ASÍ EN LA PAZ COMO EN LA GUERRA

por Jorge Brioso (Carleton College) y Jesús M. Díaz Álvarez (UNED)

Charlie Hebdo: una reflexión difícil

por Boaventura de Sousa (Universidad de Coimbra - Portugal)

UNA NACIÓN ANTROPOLÓGICA

por Edmundo Heredia (UNC-CONICET)

Desafío para la Filosofía en el siglo XXI

por José Luis Ayala

Alegato contra el coleccionismo privado de manuscritos

por Horacio Tarcus (Doctor en Historia, director CeDInCI/UNSAM, investigador independiente del Conicet)

El graffíti como forma de expresión contra-hegemónica y de emancipación social

por Randal Cárdenas-Gutiérrez

“TODOS SOMOS AMERICANOS” (El Presidente Obama)

por Ernesto Barnach-Calbó

Que la tortilla se vuelva. Una mirada sobre La Voz de la Mujer

por Camila Roccatagliata (Universidad Nacional de La Plata)

Análisis sintético de El Eterno Retorno de los Populismos

por Nidia Carrizo de Muñoz

Texto alusivo a la presentación del libro EL SUPLICIO DE LAS ALEGORÍAS de Gerardo Oviedo

por Hugo E. Biagini

CORREDOR DE LAS IDEAS DEL CONO SUR: REPERTORIO DOCUMENTAL

por Hugo Biagini, Lucio Lucchesi (comps.)

Pensamiento emancipador en el Caribe

por Adalberto Santana

Las traducciones al español de Le temps retrouvé de Marcel Proust

por Herbert E. Craig (Universidad de Nebraska)

Presentación del libro Cartas de Ricardo Rojas

por Hugo Biagini

El posprogresismo en América Latina. Algunas ideas pensadas en voz alta

por Sirio López Velasco

Fernando Aínsa, la reinvención de la utopía

por Edgar Montiel

Las reescrituras del yo en los borradores del último Alberdi

por Élida Lois

ROSARIO BLÉFARI O LA PALABRA MEDIÚMNICA

por Hugo Biagini

Entre cabezas y trash. Cine y clases subalternas en la Argentina 1990-2016

por Demian Alsina Argerich

A World Beyond Global Disorder: The Courage to Hope

por Fred Dallmayr y Edward Demenchonok (eds.)

ENSAYISTAS.ORG incorporó al CECIES entre sus páginas

por CECIES

El Corredor de las Ideas en Pacarina del Sur

por CECIES

UNA FIGURA CONSULAR

por Hugo E. Biagini

L’écoute d’un ami hors norme

por Marcelo Velarde Cañazares

EL MISTERIOSO TRASFONDO DE UNA PIEL ROSADA

por Hugo E. Biagini

José Jara Du retour d’Ulysse à Valparaiso à la pensée posthume de l’exil

por Patrice Vermeren (Université Paris 8)

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